A questão central da formação docente no século XXI talvez não seja tecnológica, mas antropológica. Que tipo de profissional precisa de ser formado para educar outros seres humanos num mundo onde o conhecimento já não é escasso, mas excessivo
Adiscussão sobre Inteligência Artificial na educação tem sido frequentemente dominada por duas questões: como utilizar estas tecnologias na escola e se elas poderão substituir os professores. Ambas são relevantes, mas nenhuma delas atinge o núcleo do problema.
A questão decisiva é outra: que tipo de formação é necessária para exercer uma profissão cujo centro não é a transmissão de informação, mas o julgamento pedagógico numa relação humana?
Durante muito tempo, a formação de professores organizou-se em torno de dois eixos principais: o domínio dos conteúdos disciplinares e o domínio de técnicas de ensino. Esta arquitetura correspondeu a uma visão relativamente estável da escola moderna, na qual o professor era entendido como mediador entre o conhecimento científico e os alunos.
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